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O
que é dengue
É
uma doença infecciosa aguda de curta duração, de
gravidade variável, causada por um arbovírus, do gênero
Flavivírus (sorotipos: 1,2,3 e 4). No Brasil, circulam os tipos
1, 2 e 3. O vírus 3 está presente desde dezembro de 2000
e foi isolado em janeiro de 2001, no Rio de Janeiro.
A dengue é transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti
infectado mas também pelo Aedes albopictus. Esses mosquitos
picam durante o dia, ao contrário do mosquito comum (Culex), que
pica durante a noite.
O Aedes aegypti é principalmente encontrado em áreas
tropicais e subtropicais do mundo, inclusive no Brasil, pois as condições
do meio ambiente favorecem seu o desenvolvimento e proliferação.
As epidemias geralmente ocorrem no verão, durante ou imediatamente
após períodos chuvosos. A dengue está se expandindo
rapidamente, e a grande preocupação é que nos próximos
anos a transmissão aumente por todas as áreas tropicais
do mundo se medidas eficientes não forem tomadas para a contenção
das epidemias.
Modo
de transmissão
A transmissão se dá pela picada do mosquito Aedes aegypti
que ficou infectado porque picou uma pessoa doente. Esse mosquito infectado,
picando uma pessoa sadia, passa o vírus da dengue e esta pessoa
fica doente. A doença só acomete a população
humana.
Os transmissores de dengue, principalmente o Aedes aegypti, proliferam-se
dentro ou nas proximidades de habitações (casas, apartamentos,
hotéis etc.) em qualquer coleção de água limpa
(caixas d'água, cisternas, latas, pneus, cacos de vidro, vasos
de plantas). As bromélias, que acumulam água na parte central
(aquário), também podem servir como criadouros. A transmissão
da dengue é mais comum em cidades. Também pode ocorrer em
áreas rurais, mas é incomum em locais com altitudes superiores
a 1200 metros.
Não há transmissão pelo contato direto de uma pessoa
doente para uma pessoa sadia. Também não há transmissão
pela água, por alimentos ou por quaisquer objetos. A dengue também
não é transmitida de um mosquito para outro. Quem pica é
a fêmea e o faz para sugar o sangue. Os mosquitos acasalam 1 ou
2 dias após tornarem-se adultos. A partir daí, as fêmeas
passam a se alimentar de sangue, que fornece as proteínas necessárias
para o desenvolvimentos dos ovos. As fêmeas têm preferência
pelo sangue humano. Elas atacam vorazmente. São ativas durante
o dia, podendo picar várias pessoas diferentes, o que explica a
rápida explosão das epidemias de dengue.
Sintomas
A dengue clássica é usualmente benigna. A infecção
causada por qualquer um dos quatro tipos (1, 2, 3 e 4) do vírus
da dengue produz as mesmas manifestações. A determinação
do tipo do vírus da dengue que causou a infecção
é irrelevante para o tratamento da pessoa doente. A dengue é
uma doença que, na grande maioria dos casos (mais de 95%), causa
desconforto e transtornos, mas não coloca em risco a vida das pessoas.
Inicia-se com febre alta, podendo apresentar cefaléia (dor de cabeça),
prostração, mialgia (dor muscular, dor retro-orbitária
- dor ao redor dos olhos), náusea, vômito, dor abdominal.
É freqüente que, 3 a 4 dias após o início da
febre, ocorram manchas vermelhas na pele, parecidas com as do sarampo
ou rubéola, e prurido ("coceira"). Também é
comum que ocorram pequenos sangramentos (nariz, gengivas).
A maioria das pessoas, após quatro ou cinco dias, começa
e melhorar e recupera-se por completo, gradativamente, em cerca de dez
dias.
Em alguns casos (a minoria), nos três primeiros dias depois que
a febre começa a ceder, pode ocorrer diminuição acentuada
da pressão sangüínea. Esta queda da pressão
caracteriza a forma mais grave da doença, chamada de dengue "hemorrágica".
Este nome pode fazer com que se pense que sempre ocorrem sangramentos,
o que não é verdadeiro. A gravidade está relacionada,
principalmente, à diminuição da pressão sangüínea,
que deve ser tratada rapidamente, uma vez que pode levar ao óbito.
A dengue grave pode acontecer mesmo em quem tem a doença pela primeira
vez.
O doente se recupera, geralmente sem nenhum tipo de problema. Além
disso, fica imunizado contra o tipo de vírus (1, 2, 3 ou 4) que
causou a doença. No entanto, pode adoecer novamente com os outros
tipos de vírus da dengue. Em outras palavras, se a infecção
foi com o tipo 2, a pessoa pode ter novamente a dengue causado pelos vírus
dos tipos 1, 3 ou 4. Em uma segunda infecção, o risco da
forma grave é maior, mas não é obrigatório
que aconteça.
Existem diferentes teorias para explicar o surgimento da dengue hemorrágica.
Alguns afirmam que ela passa a ter alta incidência em uma população
já anteriormente exposta a um outro tipo de vírus da dengue.
Seria a exposição seqüencial a um segundo diferente
tipo de vírus, que causaria a dengue do tipo hemorrágica.
Para outros, a dengue hemorrágica dependeria da maior virulência
de determinadas cepas do vírus, isto é, existiriam formas
virais mais agressivas do que outras. Uma última explicação
seria que as formas hemorrágicas da dengue estariam mais associadas
ao tipo 2 do vírus.
O
mosquito
O Aedes aegypti pertence à família Culicidae, a qual
apresenta duas fases ecológicas interdependentes: a aquática,
que inclui três etapas de desenvolvimento - ovo, larva e pupa -,
e a terrestre, que corresponde ao mosquito adulto.
A duração do ciclo de vida, em condições favoráveis,
é de aproximadamente 10 dias, a partir da oviposição
até a idade adulta. Diversos fatores influem na duração
desse período, entre eles a temperatura e a oferta de alimentos.
Detalhes do ciclo de vida:
OVO - Os ovos são depositados pela fêmeas acima de
meio líquido à superfície da água, ficando
aderidos à parede interna dos recipientes. Após a postura
tem início o período de incubação, que em
condições favoráveis dura 2 a 3 dias, quando estarão
prontos para eclodir. A resistência à dessecação
aumenta conforme os ovos ficam mais velhos, ou seja, a resistência
aumenta quanto mais próximos estiverem do final de desenvolvimento
embrionário. Este completo, eles podem se manter viáveis
por 6 a 8 meses. A fase de ovo é a de maior resistência de
seu biociclo.
LARVA - As larvas são providas de grande mobilidade e têm
como função primária o crescimento. Passam a maior
pare do tempo alimentando-se de substâncias orgânicas, bactérias,
fungos e protozoários existentes na água. Não selecionam
alimentos, o que facilita a ação dos larvicidas, bem como
não toleram elevadas concentrações de matéria
orgânica na água. A duração da fase larval,
em condições favoráveis de temperatura (25 a 29º
C) e de boa oferta de alimentos, é de 5 a 10 dias, podendo se prolongar
por algumas semanas em ambiente adequado.
PUPA - A pupa não se alimenta, apenas respira e é
dotada de boa mobilidade. Raramente é afetada por ação
de larvicida. A duração da fase pupal, em condições
favoráveis de temperatura é de 2 dias em média.
ADULTO - Macho e fêmea alimentam-se de néctar e sucos
vegetais, sendo que a fêmea depois do acasalamento, necessita de
sangue para a maturação dos ovos. Há uma relação
direta, nos países tropicais, entre as chuvas e o aumento do número
de vetores. A temperatura influi na transmissão da dengue. Raramente
ocorre transmissão da dengue em temperaturas abaixo de 16º
C. A transmissão ocorre preferencialmente em temperaturas superiores
a 20º C. A temperatura ideal para a proliferação do
Aedes aegypti estaria em torno de 30 a 32 ºC.
Medidas gerais
de prevenção
O melhor método para se combater a dengue é evitando a procriação
do mosquito Aedes aegypti, que é feita em ambientes úmidos
em água parada, seja ela limpa ou suja.
A fêmea do mosquito deposita os ovos na parede de recipientes (caixas
d'água, latas, pneus, cacos de vidro etc.) que contenham água
mais ou menos limpa e esses ovos não morrem mesmo que o recipiente
fique seco. Não adianta, portanto, apenas substituir a água,
mesmo que isso seja feito com freqüência. Desses ovos surgem
as larvas, que, depois de algum tempo vivendo na água, vão
formar novos mosquitos adultos.
O combate ao mosquito deve ser feito de duas maneiras: eliminando os mosquitos
adultos e, principalmente, acabando com os criadouros de larvas. Para
eliminação dos criadouros é importante que sejam
adotadas as seguintes medidas:
- Não se deve deixar objetos que possam acumular água expostos
à chuva. Os recipientes de água devem ser cuidadosamente
limpos e tampados. Não adianta apenas trocar a água, pois
os ovos do mosquito ficam aderidos às paredes dos recipientes.
Portanto, o que deve ser feito, em casa, escolas, creches e no trabalho,
é:
substituir a água dos vasos das plantas por terra e
esvaziar o prato coletor, lavando-o com auxílio de uma escova;
utilizar água tratada com água sanitária
a 2,5% (40 gotas por litro de água) para regar bromélias,
duas vezes por semana*. 40 gotas = 2ml;
não deixar acumular água nas calhas do telhado;
não deixar expostos à chuva pneus velhos ou
objetos (latas, garrafas, cacos de vidro) que possam acumular água;
acondicionar o lixo domiciliar em sacos plásticos fechados
ou latões com tampa;
tampar cuidadosamente caixas d'água, filtros, barris,
tambores, cisternas etc.
Para reduzir a população do mosquito adulto, é feita
a aplicação de inseticida através do "fumacê",
que deve ser empregado apenas quando está ocorrendo epidemias.
O "fumacê" não acaba com os criadouros e precisa
ser sempre repetido, o que é indesejável, para matar os
mosquitos que vão se formando. Por isso, é importante eliminar
os criadouros do mosquito transmissor. Além da dengue, se estará
também evitando que a febre amarela, que não ocorre nas
cidades brasileiras desde 1942, volte a ser transmitida.
- Medidas eficazes em residências, escolas e locais de trabalho
- Medidas Individuais de Prevenção
Devem ser adotadas medidas de proteção contra infecções
transmitidas por insetos, que são as mesmas empregadas contra a
febre amarela e a malária. É importante saber que, embora
a transmissão dessas doenças possa ocorrer ao ar livre,
o risco maior é no interior de habitações.
Em locais de maior ocorrência dessas doenças, deve-se usar,
sempre que possível, calças e camisas de manga comprida,
e repelentes contra insetos à base de DEET nas roupas e no corpo,
sempre observando a concentração máxima para crianças
(10%) e adultos (30%). Pessoas que estiveram em uma área de risco
para dengue e que apresentem febre, durante ou após a viagem, devem
procurar um Serviço de Saúde.
Links para consulta
e informações
SUCEN - Superintendência de Controle de Endemias
CIVES - Centro de Informação em Saúde para Viajantes
CVE
- Centro de Vigilância Epidemiológica
FUNASA -
Fundação Nacional da Saúde
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